Tim Cook esperneou, disse que tudo não passava de "besteirol político", mas não teve jeito: a Apple vai ter que desembolsar 348 milhões de dólares para encerrar um processo que envolve o governo italiano sobre possíveis fraudes fiscais feitas pela empresa no país.

O jornal La Repubblica diz que a empresa estava sob investigação desde 2008, período em que a divisão italiana Apple Italia deveria ter pagado 880 milhões de euros em taxas, mas acabou pagando "apenas" 30 milhões.

O desvio, segundo relata o processo, era feito através de registros de vendas que eram alocados na Irlanda, onde fica a matriz europeia da empresa. O país tem a menor taxa de impostos corporativos na Europa – 12,5% contra 27,5% na Itália – e é frequentemente envolvido em manobras fiscais de empresas americanas. A investigação deve continuar, mas a Apple acredita que o acordo terá um resultado positivo no caso.

Pagando cada centavo

Cook disse recentemente, em uma entrevista para o programa 60 Minutes, que não havia nenhum tipo de evasão fiscal por parte da companhia. "A Apple paga cada dólar de imposto devido", disse o executivo.

Trazer os lucros da companhia de sua matriz europeia para os Estados Unidos custaria 40% do valor total, algo que, segundo Cook, não parece ser muito sensato. Ele reforçou que a situação expõe um sério problema com o sistema tributário norte-americano: "A lei de impostos atual foi feita para a era industrial, não para a era digital. Ela é um retrocesso, péssima para os EUA e deveria ter sido revista há muitos anos".

O governo irlandês, por sua vez, está trabalhando para eliminar as brechas nas leis que permitem que esse tipo de movimentação financeira seja feita, mas é um processo que pode levar anos.